sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ai ai.

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento. Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa. Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora. Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja. Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento. Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração. Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia. Lucidez é um acesso de loucura ao contrário. Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato. Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele. Paixão é quando apesar da palavra ''perigo'' o desejo chega e entra. Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não... Amor é um exagero... também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação. Esse negócio de amor, não sei explicar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

"... Ando mais objetiva, menos ingênua ...
Ando mais brava, mais exigente, mais 'prova pra mim' ...
Uns chamam de escudo, outros de aprendizado. Eu chamo de precaução e prudência, e isso aí nunca é demais... Talvez eu não tenha aprendido todas as lições necessárias, mas tenho a consciência que os verdadeiros ensinamentos já estão gravados em minha alma. Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser, mas passei a admirar quem sou. Porque no final, mesmo com incontáveis dúvidas, eu sou capaz de construir uma vida melhor. Apesar dos erros continuo trilhando meu caminho à procura do ''Equilíbrio Perfeito''. É preciso correr riscos, seguir certos caminhos e abandonar outros. Ninguém é capaz de escolher sem medo..."

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vênus, Eros e o Amor.

O amor dura alguns anos, a hipocrisia a vida inteira. Quando o amor morre numa relação alguém sofre porque para um dos dois o fantasma da relação continua viva, individualmente, embora já não seja recíproca, ou seja, já não há mais relação, mas obsessão, porquanto o liame se partiu : o amor só é possível de se realizar mutuamente, quando há correspondência; essa energia é recíproca, não ocorre tensão fora do campo da reciprocidade. Os antigos simbolizaram essas polaridades com o deus Eros, para o amor masculino, e a deusa Afrodite, grega, ou a Vênus, romana, para a polarizar o eterno feminino que se espressa na mulher. Para os romanos, Amor era um deus filho de Vênus. De fato, a energia do amor nasce e se fortalece antes na mulher, que escolhe, do que no homem, que espera ser escolhido, coroado rei do amor de sua deusa Vênus.Os antigos faziam dos deuses os conceitos com os quais representavam as energias mais poderosas que movem a natureza e o ser humano. Toda a psicologia, ou seja, a mente humana foi fundada por esses deuses que a simbolizavam exteriormente e que, passado o tempo, introjetaram-se no interior do ser humano, nos seus gestos e ritos e fundamentaram essa imensa constelação de símbolos e signos que forma a mente humana. Essa mente pode ser lida nos trágigos gregos, como Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e na comédia de Aristófanes, bem como em Shakespeare e Goethe, no Dr. Fausto, em Hamelet, Rei Lear, Romeu e Julieta, enfim, em toda obra poética carregada de símbolos que são os verdadeiros atores por trás dos signos.A psiquê, primeira voz, primeiro violino de voz que faz a psicanálise, é , antes de tudo, antes dos pensamentos freudianos, uma deusa grega, fato que demonstra que a mente humana é uma representação mitológica, alegórica, um vasto campo de semiótica e semiologia.O amor, energia (deusa ou deus)que se esgota numa tensão, morre quando a tensão é quebrada por um dos indivíduos. Então ocorre um "curto-circuito" e os indivíduos que antes se correspondiam por meio dos elementeos que se ligavam através dessa tensão, nessa comunicação, comunhão, ao menos um dos indivíduos não partilha mais da tensão, desliga-se dela, como um fio da corrente elétrica; alguém quebra o vínculo num tempo antes do outro e o desvinculado fica sofrendo. Consciência é dor, a morte é o fim das dores, por isso quem continua amando, ou obcecado pelo objeto do amor cuja tensão que os ligava se partiu, sofre com a ruptura que, para o outro, que rompeu o liame, nada mais significa, porquanto o amor nele é finado, e o que é morto já não desperta qualquer consciência. Consciência é dor, dor é vida, vida é amor. Deus que continua reencarnado em filhos e filhas.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

Amor platônico
Amor platônico é uma expressão usada para designar um amor ideal, alheio a interesses ou gozos. Um sentido popular pode ser o de um amor impossível de se realizar, um amor perfeito, ideal, puro, casto.
Trata-se, contudo, de uma má interpretação da filosofia de
Platão, quando vincula o atributo "platônico" ao sentido de algo existente apenas no plano das idéias. Porque Idéia em Platão não é uma cogitação da razão ou da fantasia humana. É a realidade essencial. O mundo da matéria seria apenas uma sombra que lembraria a luz da verdade essencial.
Disso pode-se concluir que o amor Platônico é uma interpretação equivocada do conceito de Amor na filosofia de Platão. O amor em Platão é falta. Ou seja, o amante busca no amado a Idéia - verdade essencial - que não possui. Nisto supre sua falta e se torna pleno, de modo dialético, recíproco. Nem de longe é a noção de amor covarde que nunca se realizará.
Perspectiva filosófica
Diferentemente do conceito de amor platônico, quando se fala do amor em Platão estamos nos referindo ao pensamento deste filósofo sobre o amor. A noção de amor é central no pensamento platônico. Em seus diálogos, Sócrates dizia que o amor era a única coisa que ele podia entender e falar com conhecimento de causa. Platão compara-o a uma caçada (comparação aplicada também ao ato de conhecer) e distinguia três tipos de amor: o amor terreno, do corpo; o amor da alma, celestial (que leva ao conhecimento e o produz); e outro que é a mistura dos dois. Em todo caso o amor, em Platão, é o desejo por algo que não se possui.
A temática do amor é comum a quase todos os filósofos gregos, entendido como um princípio que governa a união dos elementos naturais e como princípio de relação entre os seres humanos. Depois de Platão, entretanto, só os platônicos e os neoplatônicos consideraram o amor um conceito fundamental. Em
Plutarco o amor é a aspiração daquilo que carece de forma (ou só a tem minimamente) às formas puras e, em última instância, à Forma Pura do Bem. Em "As Enéadas", Plotino trata do amor da alma à inteligência; e na sua Epistola ad Marcelam, Porfírio menciona os quatro princípios de Deus: a fé, a verdade, o amor e a esperança. No pensamento neoplatônico, o conceito de amor tem um significado fundamentalmente metafísico ou metafísico-religioso.
Mas ... "O coração tem razões que a própria razão desconhece."

Nando Reis, 30/08/2008. Sem palavras!